“Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz
22 de junho de 2025
Post por: bernardolopes

“Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz

A Bienal do Livro do Rio, onde lancei Como desenhar um cubo de Necker em 20 de junho deste 2025, me rendeu vários bons encontros — muitos deles com livros. Uma dessas joias é Vamos comprar um poeta, do autor português Afonso Cruz. Uma preciosidade.

Seguem as citações: 

Os monstros, disse ele, são muito parvos. Se dermos um passo na sua direção, já não sabem onde estamos e continuam a correr em frente a tentar assustar-nos, mas estão completamente desorientados, não percebem que já passaram por nós.

A cultura não se gasta. Quanto mais se usa, mais se tem.

As rugas são as cicatrizes das emoções que vamos tendo na vida.

A poesia, diz-me ele, transfigura o universo e faz emergir a realidade descrita com a absoluta precisão da ambiguidade. Nunca li um bom verso que não voasse da página em que foi escrito. A poesia é um dedo espetado na realidade.

Um poeta é como quem sai do banho e passa a mão pelo espelho embaciado para descobrir seu próprio rosto. 

O poeta dizia que os versos libertam as coisas. Que, quando percebemos a poesia de uma pedra, libertamos a pedra de sua “pedridade”. Salvamos tudo com a beleza. Salvamos tudo com poemas. Olhamos para um ramo morto e ele florescer. Estava apenas esquecendo de quem era. Temos de libertar as coisas. Isso é um grande trabalho.

Livro: Vamos comprar um poeta, Afonso Cruz. Editora Dublinense. 96 páginas.

Bernardo Lopes

BERNARDO EVANGELISTA LOPES nasceu em Sabará, Minas Gerais, em 1988. Formado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é escritor e professor de Língua Inglesa. Seus livros "O que disse o Imperador" (2016), "Dona" (2018) e "Debutante" (2021) foram publicados pela Metanoia Editora, do Rio de Janeiro. "Dona" foi traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos, assim como seu ensaio crítico-literário "O Narrador Injustiçado" ("The Underrated Narrator"); ambos são vendidos em mais de 20 países pela Amazon. Bernardo é o Presidente da Academia de Ciências e Letras de Sabará, onde ocupa a cadeira de nº 17, que homenageia o conterrâneo Júlio Ribeiro.