“Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz
A Bienal do Livro do Rio, onde lancei Como desenhar um cubo de Necker em 20 de junho deste 2025, me rendeu vários bons encontros — muitos deles com livros. Uma dessas joias é Vamos comprar um poeta, do autor português Afonso Cruz. Uma preciosidade.
Seguem as citações:
Os monstros, disse ele, são muito parvos. Se dermos um passo na sua direção, já não sabem onde estamos e continuam a correr em frente a tentar assustar-nos, mas estão completamente desorientados, não percebem que já passaram por nós.
A cultura não se gasta. Quanto mais se usa, mais se tem.
As rugas são as cicatrizes das emoções que vamos tendo na vida.
A poesia, diz-me ele, transfigura o universo e faz emergir a realidade descrita com a absoluta precisão da ambiguidade. Nunca li um bom verso que não voasse da página em que foi escrito. A poesia é um dedo espetado na realidade.
Um poeta é como quem sai do banho e passa a mão pelo espelho embaciado para descobrir seu próprio rosto.
O poeta dizia que os versos libertam as coisas. Que, quando percebemos a poesia de uma pedra, libertamos a pedra de sua “pedridade”. Salvamos tudo com a beleza. Salvamos tudo com poemas. Olhamos para um ramo morto e ele florescer. Estava apenas esquecendo de quem era. Temos de libertar as coisas. Isso é um grande trabalho.
Livro: Vamos comprar um poeta, Afonso Cruz. Editora Dublinense. 96 páginas.